Avançar para o conteúdo principal

Redes Energéticas Nacionais (REN)

Designação geral e setor

A REN (Redes Energéticas Nacionais) (ticket: RENE) é uma empresa portuguesa, que atua na área do transporte de eletricidade e de gás natural, sendo igualmente a responsável pela gestão técnica global do Sistema Elétrico Nacional bem como do Sistema Nacional de Gás Natural. Mais recentemente investiu, também, na área das telecomunicações.

Parte integrante do do PSI 20, com um peso de cerca 7% para o índice, tem atualmente uma capitalização de 1,65B e é , na minha opinião, uma das empresas mais estáveis e previsíveis da bolsa portuguesa.

Segmentos de negócio

Transporte de Eletricidade

Única empresa responsável pela operação do sistema de transmissão detendo a exclusividade de concessão até 2057.
Detém uma rede de transmissão elétrica correspondente a 9.056 km, registando um rendimento anual bruto de 2.292 milhões, em 2019.

Comentário
A expansão deste segmento é praticamente inexistente em Portugal, o que impossibilita um aumento da receita de forma orgânica, ou seja, sem ser em cortar despesas ou aumento de preços.
Uma nota positiva é o contrato de exclusividade até 2057, o que significa um monopólio do sistema e consequentemente uma fonte de rendimento "fixa" e com risco praticamente nulo.

Gás Natural

Única empresa responsável pela operação do sistema de transmissão detendo a exclusividade de concessão até 2046.
Efetua a receção, o armazenamento e a regaseificação de GNL bem como o armazenamento subterrâneo de gás natural, detendo uma rede de transmissão correspondente a 1.375 km e registando um rendimento anual bruto de 989 milhões, em 2019.

No que diz respeito à distribuição de gás natural apresenta uma rede de transmissão de 5.705 km e regista um rendimento anual bruto de 473 milhões, em 2019. Para além disso adquiriu, em 2017, a segunda maior rede de distribuição de gás, a Portgás por 532 milhões. (sendo a Lisboagás a maior rede existente).

Comentário
Claramente a REN está a focar-se no mercado do gás natural, tanto no transporte como na distribuição. A aquisição da Portgás foi bem vinda de forma a diversificar o portfólio da empresa. Contudo existe uma preocupação inerente, os custos de manutenção, ou seja, a estrutura já implementada já tem alguns anos e vai precisar cada vez mais manutenção e substituição dos componentes.
Apesar de considerar que o futuro inevitavelmente será exclusivamente elétrico, acredito que ainda exista muito potencial de retorno com o gás natural nos próximos 10 a 15 anos.

Chile

A REN iniciou a sua expansão internacional no ano de 2017, através da compra de 42,5% de participação da Electrogas, uma empresa chilena, detentora de 165.6 km de gasodutos reversíveis em operação.
Para além disso, em 2019, a REN reforçou a sua presença no país com a compra de todo o capital social da Transemel, uma transação de 168.6 milhões e suportada através de divida.

Comentário
Acredito que a expansão para o Chile adequa-se à estratégia da empresa e acredito que tenha sido um investimento positivo. Primeiramente porque em termos financeiros é praticamente impossível a aquisição de uma empresa neste setor na Europa ou nos EUA. Finalmente o facto do Chile estar em crescimento populacional nas principais cidades.
O maior risco inerente a este investimento é a possível instabilidade política que eventualmente surja, bem como o valor da moeda chilena comparativamente ao EURO, ou seja, uma inflação no Chile vai comprometer a rentabilidade do investimento.

Outros negócios

A REN detém, através da Enondas – Energia das ondas. S.A., a concessão para a exploração de uma zona piloto que tem como intuito a produção de energia elétrica através das ondas do mar.

Para além disso, a REN está também presente em outras áreas de negócio como às telecomunicações, passando pelas infraestruturas, serviços geridos e ainda consultoria.

Comentário
Nem vale a pena falar do Enondas, ideia interessante, que pelo que verifiquei, pouco promissora em termos de rentabilidade. Por outro lado o negócio agregado às telecomunicações é bem vindo desde que este seja rentável a médio ou longo prazo. Julgo que a entrada neste segmento está diretamente relacionada com a atual administração, ou seja, como vieram quase todos da ZON (atual NOS), criaram um segmento na sua área de conforto. Esperar para e ver a qualidade da administração.


Demonstrações





Comentário
Uma receita total e um lucro liquido com pouca oscilação, exatamente o que se espera de uma empresa que cresce pouco mas que tem um mercado "fixo". Contudo para mim o mais importante é sem dúvida a margem líquida, ou seja, com 8% a mais de margem do que a média da indústria convence-me que a REN sabe o que está a fazer e já otimizou bastante os processos e custos operacionais.


Balanço Patrimonial


Comentário
Com ativos totais superiores aos passivos, a REN está sem dúvida alinhada com o que é espetável daquela que é uma indústria cujos investimentos são sempre enormes, normalmente em infraestruturas.
Relativo ao PE a empresa está abaixo da média da indústria o que pode significar a empresa estar subvalorizada.

Retorno anual


Comentário
O retorno da REN terá sempre de ser calculado a contar com os dividendos, caso contrários os valores até são negativos, ou seja, -3% a 5 anos, -13 a 3 anos e menos de 1% a 1 ano. Contudo calcular o retorno sem incorporar os dividendos é , a meu ver, um erro visto não ser uma empresa que se espere um crescimento futuro muito elevado.
Para mim a REN é uma empresa em que temos um retorno estável a longo prazo com pouco risco envolvido.
Dividendos




Direção

Rodrigo de Araújo Costa (CEO) - Experiência principal em comunicações (PT e ZON) e desde 2015 na REN.
Gonçalo João Figueira Soares (CFO) - Experiência principal em comunicações (PT e ZON) e desde 2012 na REN.
João Caetano Carreira Conceição (COO) - Experiência principal em consultoria (Boston Consulting Group) e desde 2009 na REN.

Acionistas




2020 - Q1

Os resultados do Q1 de 2020 já saíram. Como expectável caiu a fatura da compra da Transemel o que aumentou a divida em 136,4 milhões para o total de 2750,3 milhões.
Os custos operacionais aumentaram em relação ao Q1 de 2019 em 2,3 milhões, sendo que 0,8 milhões são da Transemel e 0,3 milhões foram máscaras doadas por causa do Covid
O lucro liquido ficou pelos 4,3 milhões, menos 8,9 do que no Q1 de 2019. O pagamento à CESE (que já inclui a portgás) fez mossa.
No que toca aos dividendos foi aprovado pelos acionistas o pagamento de 17,1 cêntimos, ou seja, acima dos 6%.

Conclusão

A REN parte integrante no meu portfólio, a minha estratégia é manter o PMM abaixo do 2,3 e colher anualmente os dividendos, acrescentando sempre a posição quando tenho disponibilidade e está abaixo do valor definido.
Segundo a minha análise acho que o valor justo da ação está aproximadamente nos 4, estando atualmente subvalorizada.

As minhas maiores preocupações em relação a esta posição são o facto de 37% da empresa ser da State Grid of China e da Oman Oil, que facilmente puxam o dinheiro e vão para outras vistas. Ou então a direção, proveniente da ZON e, segundo o que pude analisar, não têm posição na empresa o que raramente é bom. Pessoalmente gosto de quem decide tenha algo a perder.

Para mim é uma empresa base para a minha estratégia, estável e com um modelo de negócios bastante previsível, contudo entendo quem acha uma empresa que dá pouco retorno em comparação a tantas outras.



Comentários

Mensagens populares deste blogue

O meu processo

Antes de começar a investir li bastante sobre como era feito, principalmente por aqueles que considero os melhores nesta área. Desta forma criei uma checklist, bem como um conjunto de regras e uma estrutura que utilizo para analisar cada empresa. Grande parede do que vai estar aqui descrito é uma mistura entre Peter Lynch, Benjamin Graham, Charlie Munger, Warren Buffet, John Templeton, Nassim Taleb e Stephen Jarislowsky. Tento ser ao máximo um investidor segundo a definição do Benjamin Graham, contudo, e faço já a ressalva, também tenho uma pequena parte do meu orçamento para "jogar", ou seja especular, mantendo essas contas separadas como é óbvio. Basicamente o tipo de investidor que tento ser baseia-se em adquirir boas empresas em desconto e, consequentemente, com uma boa margem de segurança, normalmente em mercados e setores onde poucos olham, muito como o John Templeton fez durante toda a sua vida. As regras que utilizo sempre que investigo ou olho para os mercados. Pensa...

Altri (ALTR)

A Altri é uma empresa portuguesa transacionada na Euronext Lisboa e parte integrante do PSI20. Dedica-se à produção de pasta de papel, energia e gestão florestal. Em seguida vamos analisar cada um dos setores de forma sucinta. Pasta de Papel A Altri tem como negócio principal a produção de diferentes pastas de papel para venda bruta, o principal foco está na pasta para o papel tissue (52%), impressão escrita (22%), especialidades (14%) e especialidades, embalagens e outros (12%). Este segmento representa basicamente toda a receita da empresa, ou seja dos 753,5 milhões totais 667 milhões são relativos à venda de pasta de papel. Comentário :Apesar de considerar acaba por não existir diferenciação da empresa no mercado e que a receita deste setor esta intrinsecamente relacionado com o preço da pasta no mercado ( atualmente a 791,16 euros M/TON) a vantagem clara da Altri são os custos, ou seja tem menos passos de processo.  Energia A produção de energia por...