Avançar para o conteúdo principal

O meu processo

Antes de começar a investir li bastante sobre como era feito, principalmente por aqueles que considero os melhores nesta área. Desta forma criei uma checklist, bem como um conjunto de regras e uma estrutura que utilizo para analisar cada empresa. Grande parede do que vai estar aqui descrito é uma mistura entre Peter Lynch, Benjamin Graham, Charlie Munger, Warren Buffet, John Templeton, Nassim Taleb e Stephen Jarislowsky.

Tento ser ao máximo um investidor segundo a definição do Benjamin Graham, contudo, e faço já a ressalva, também tenho uma pequena parte do meu orçamento para "jogar", ou seja especular, mantendo essas contas separadas como é óbvio.
Basicamente o tipo de investidor que tento ser baseia-se em adquirir boas empresas em desconto e, consequentemente, com uma boa margem de segurança, normalmente em mercados e setores onde poucos olham, muito como o John Templeton fez durante toda a sua vida.

As regras que utilizo sempre que investigo ou olho para os mercados.
  • Pensa por ti, não sigas o grupo.
  • Fica no teu circulo de competência.
  • Paciência, tanto a comprar, quanto a vender.
  • Procura provas que põem em causa a tua análise.
  • Investe em ti - paga-te sempre primeiro.
  • Evita histórias atrativas ou milagrosas.
  • Procura no máximo pessimismo.
  • Compra quando querem vender, vende quando querem comprar.
Apesar de serem regras básicas fazem com que fique bastante mais calmo, mesmo em tempos de grande volatilidade.

Em seguida a Checklist que utilizo para procurar empresas antes de as analisar, bem como uma breve explicação de cada item. Contudo é quase impossível uma empresa cumprir com tudo o que coloquei na checklist, basicamente são um conjunto de métricas que me ajudam a identificar empresas que, na minha opinião, passam para a fase de análise.

  • Nome aborrecido ou ridículo
Segundo o Peter Lynch a ideia de ter um nome aborrecido ou ridículo torna a empresa menos atrativa para investidores, nomeadamente, para os fundos, aglomerados e instituições.
  • Faz alguma coisa aborrecida
Conceito similar ao anterior, com a diferença que se for aborrecido é normalmente mais fácil analisar.
  • Faz alguma coisa controversa
Basicamente algo que é necessário mas bastante controverso na atualidade, afasta grandes investidores bem como o público em geral. Contudo não significa que não seja uma empresa sólida com excelentes perspectivas de retorno.
  • Não tem grande participação de instituições e/ou fundos
Normalmente as instituições ou os fundos pouco se importam com a empresa e a sua longevidade.
  • É deprimente ou faz algo deprimente
Funerárias, prisões são exemplos de negócios deprimentes e que pouca gente se vê associada, logo não investe. Isso significa que a empresa não é necessária ou rentável?
  • A indústria ou setor não está a crescer
Quando a indústria não cresce significa que existe pouca possibilidade de entrar concorrência.
  • Tem um nicho, um lema ou um target especifico
Basicamente todas as empresas que têm uma estratégia bem definida com um publico alvo bem criado e de preferência implementado.
  • Tem receitas recorrentes
Bastante auto explanatório
  • A direção tem participação na empresa
Basicamente a direção tem de ter ações da empresa, a lógica é simples. Porque é que vou investir numa empresa que a própria direção não o faz.
  • A empresa tem uma boa gestão
A direção tem de saber o que está a fazer.
  • Empresa ou direção não estão envolvidas em corrupção
Ponto bastante importante, principalmente em países em que casos de corrupção são o prato do dia, Portugal, infelizmente é um deles.
  • Compra outras empresas da mesma indústria
Normalmente quando uma empresa adquire outras empresas da mesma indústria significa que estas estão em desconto.
  • Evitar indústrias na moda
Quando uma indústria está na moda facilmente o preço em que cada uma das empresas esta é demasiado alto para o que esta oferece.
  • Evitar empresas que são a próxima qualquer coisa
"É a próxima Amazon." Na realidade é que a probabilidade disso ser verdade é praticamente nula.
  • Evitar empresas que têm poucos clientes
Empresas que normalmente dependem de 1 ou 2 clientes
  • Evitar empresas milagrosas
Empresas que prometem milagres ou coisas praticamente impossíveis.
  • Evitar empresas que estão a mudar de negócio
Empresas que estão a diversificar fora da sua unidade de negócio normalmente só o fazem por desespero.

Normalmente faço a checklist para várias empresas do setor e só no fim é que decido quais passam à fase da análise. Aconselho sempre a analisar várias e só depois retirar conclusões preliminares, afinal de contas um dos objetivos é comprar em desconto e no caso de existirem empresas similares estas têm de ser sempre comparadas, nem que seja, para entender o mercado ou que vantagens existem em cada uma delas.

Finalmente partilho a minha estrutura de análise, antigamente fazia-a de forma mais informal, ou seja, escrevia num papel, contudo queria, que fosse o mais correta possível, que desse para ser atualizada e que ficasse disponível sempre que fosse necessário, foi desta vontade que surgiu a ideia do blog.

  • Designação geral e setor
  • Segmentos de negócio
  • Planos futuros
  • Visão sobre o setor atual vs futuro
  • Demonstrações
  • Balanço Patrimonial
  • Retorno anual vs indústria C/s Dividendos
  • Rácios
  • Dividendos
  • Direção
  • Acionistas
  • Como se enquadra na estratégia
Após analisar a empresa resta definir se é uma boa empresa e se está alinhada com aquilo que acho ser um bom investimento. Segue-se verificar o valor justo de compra e consequentemente o meu preço alvo. Para tal utilizo as seguintes formas.

  • Identifico empresas similares e vejo comparativamente qual é o preço médio das várias empresas do setor. (Avaliação Relativa do Templeton).
  • Vejo o target dos analistas. Caso exista algum.
  • Verifico o preço médio dos últimos 5 anos.
  • Faço o DCF (Discounted cash flow).
  • Defino 3 target prices e compra.
Aguardo até o valor da ação estar no que defini para compra. Verifico cada empresa de forma rápida a cada 3 ou 6 meses de forma a entender se existiu alguma grande alteração que passou despercebida.

Este é o meu método, acredito que existam melhores, contudo é aquele que escolhi e aquele que acredito. Se é perfeito, não, se é para todos, não.



Comentários

Mensagens populares deste blogue

Altri (ALTR)

A Altri é uma empresa portuguesa transacionada na Euronext Lisboa e parte integrante do PSI20. Dedica-se à produção de pasta de papel, energia e gestão florestal. Em seguida vamos analisar cada um dos setores de forma sucinta. Pasta de Papel A Altri tem como negócio principal a produção de diferentes pastas de papel para venda bruta, o principal foco está na pasta para o papel tissue (52%), impressão escrita (22%), especialidades (14%) e especialidades, embalagens e outros (12%). Este segmento representa basicamente toda a receita da empresa, ou seja dos 753,5 milhões totais 667 milhões são relativos à venda de pasta de papel. Comentário :Apesar de considerar acaba por não existir diferenciação da empresa no mercado e que a receita deste setor esta intrinsecamente relacionado com o preço da pasta no mercado ( atualmente a 791,16 euros M/TON) a vantagem clara da Altri são os custos, ou seja tem menos passos de processo.  Energia A produção de energia por...

Redes Energéticas Nacionais (REN)

Designação geral e setor A REN (Redes Energéticas Nacionais) (ticket: RENE) é uma empresa portuguesa, que atua na área do transporte de eletricidade e de gás natural, sendo igualmente a responsável pela gestão técnica global do Sistema Elétrico Nacional bem como do Sistema Nacional de Gás Natural. Mais recentemente investiu, também, na área das telecomunicações. Parte integrante do do PSI 20, com um peso de cerca 7% para o índice, tem atualmente uma capitalização de 1,65B e é , na minha opinião, uma das empresas mais estáveis e previsíveis da bolsa portuguesa. Segmentos de negócio Transporte de Eletricidade Única empresa responsável pela operação do sistema de transmissão detendo a exclusividade de concessão até 2057. Detém uma rede de transmissão elétrica correspondente a 9.056 km, registando um rendimento anual bruto de 2.292 milhões, em 2019. Comentário A expansão deste segmento é praticamente inexistente em Portugal, o que impossibilita um aumento da receita de forma o...